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WELCOME TO AMOSTRA-WRG


WRG USES BLOG HAS A PLATFORM TO SHOW THE WORKS DONE IN HIS ARCHITECTURE COURSE, EXPLORING OTHER ART DOMAINS WITH WHICH HE FEELS MORE RAPPORT.


WORDS, SCREENSHOOTS, PHOTOS, MUSIC, VIDEOS, CULTURAL EVENTS AND ARTISTS. THE IMPORTANT THING IS EXPERIMENT.


IT'S GOOD TO HAVE YOU HERE.


ENJOY.






*work, news & articles

RETRO-ECO E ECO-TECH


Imagem: WRG production


Numa perspectiva contemporânea de sustentabilidade, encontramos duas vertentes:


Uma que podemos designar de Retro-Eco, que defende um regresso às origens, com técnicas construtivas vernaculares (uma relação íntima com o ambiente, rejeita modelos tecnológicos que não sejam ambientalmente amigáveis) e ambientes sociais neo-hippies.


Não me parece que esta abordagem consiga dar uma resposta a processos urbanos em grande escala.


Por outro lado, há uma componente Eco-Tech, que tenta aprender e evoluir a partir da natureza e processos naturais, onde surgiram conceitos como biomimética, vertente esta que pretende ver a tecnologia sob o prima do mundo orgânico, visto que esta fornece um ponto de vista criativo para pensar a arquitectura do futuro.


Na realidade esta vertente, que tenta espelhar na arquitectura o mundo animal e natural, não é algo recente.


Falar de uma arquitectura que integra em si parte de sistemas que podem ser observados no mundo orgânico, tal como sistemas de sensores que reagem como se fossem nervos, de sistemas de controlo ambiental que não são visíveis, podemos quase falar de uma arquitectura inteligente, distanciando-se assim de uma mera optimização e gestão do edifício.


Podemos encontrar uma grande variedade de soluções estruturais no mundo das bio-estruturas; algumas são simples e bastante sofisticadas, mas outras são grandes fontes de pesquisa para atingir outros fins.


Os três reinos da natureza – mineral, vegetal e animal – permitem descodificar vários sistemas, desde a eficácia estrutural de alguns cristais, adaptação de certas árvores em zonas muito ventosas pelo estudo das suas fibras ou inclinação, até às teias das aranhas, onde as suas finas teias podem ser comparadas à resistência de um cabo de aço.


No reino animal, seja por estruturas próprias ou construídas, é bastante rico em soluções que podem ser aplicadas à realidade.A estrutura das conchas ou as construções dos castores podem ser aplicadas à construção de barragens, as teias de aranha aplicadas à construção de coberturas.




Imagens: Retiradas da Web. Exemplo da aplicação da biomimética. Piscinas Olímpicas, também chamado de “cubo de água” para os Jogos Olímpicos de 2008, Pequim, China. Atelier: PTW + CCDI + Arup


A componente Eco-Tech ainda integra os smart materials, consciência ecológica, economia de custos etc.

Sejam quais forem as hipóteses possíveis, a solução passará por entender o potencial de cada lugar ou situação, e conseguir aproveitar ao máximo as oportunidades sem ser necessário impor grandes cargas tecnológicas, que mais tarde se tornem inviáveis, devido ao seu enorme custo de manutenção.


A tecnologia, independentemente de ser avançada ou não, é uma mera ferramenta para atingir um determinado objectivo.


Exerto do texto "Retro-Eco e Eco-Tech", escrito por WRG

EQUIPAMENTO URBANO | BUILDING - CULTURE, EDUCATION & LEISURE



A fim de consolidar a área compreendida entre Cacilhas, ginjal e Almaraz, tendo as duas últimas sido alvo do plano desenvolvido ao longo do primeiro semestre de forma mais profunda, o equipamento a desenvolver irá localizar-se em Cacilhas, proporcionando o desenvolvimento de um plano mais sólido e consistente quanto à sua proposta.


No núcleo de Cacilhas entre as av. Aliança povo mfa, 25 de Abril e a rua Elias Garcia, localiza-se aquilo que descrevi para a quinta do Almaraz de vazio urbano. Um território que faz parte da imagem de Cacilhas como um todo, no entanto nem rural nem urbano.


Esta formação geográfica ignorada em fases anteriores de desenvolvimento urbano negligenciou qualquer uso que promovesse a integração na malha urbana da cidade, ocupando-a com cartazes de grandes dimensões fazendo publicidade a um produto qualquer.


Intervir nesta terra de ninguém, cujo maior atributo são as qualidades naturais de miradouro, irá permitir concluir uma frente urbana, tantas vezes interrompida por áreas naturais muitas vezes em estado selvagem.


O objectivo é criar uma plataforma criativa, capaz de receber jovens criativos mais ou menos desempregados, tais como arquitectos, designers, fotógrafos, criadores de moda, entre outros.


Formar uma rede que se estenda a áreas como a fotografia, o design, a moda, a arquitectura, a música, as artes visuais e performativas e a organização de eventos.


Posso definir este espaço como um centro de produção, investigação e apresentação de novos projectos, novas ideias e novas artes de carácter experimental, que por sua vez estará ligado a uma rede nacional e internacional de comissários, artistas, críticos, museus, fundações, galerias, centros de arte e investigação que permita dar continuidade a um processo multidisciplinar.


“ as artes e os seus mais diversos locais de apresentação (…) são lugares e habitações de pensamento que revelam gestos, princípios políticos e filosóficos, compromissos, marcas de identidade, posições territoriais, desafios e acções que incitam, eventualmente, a outras. Talvez seja também essa a felicidade que se pode encontrar num acontecimento artístico, a de levar para casa uma enorme vontade de acção, nem que seja para, quando lá chegarmos, fazer a cama e logo de seguida nos deitarmos nela.”


Nelson guerreiro in dif, revista mensal de tendências e guia cultural, Março. 2008.


A minha proposta consiste num volume que parte da cota da rua frei bernardo brito e que se projecta sobre a marginal.


Estando este volume à mesma cota que a rua, parte da sua cobertura será usada como parte integrante do parque urbano envolvente.


No volume inicial são desenhados dois eixos: um longitudinal, promovendo o acesso ao equipamento e miradouro e consequentemente ao parque urbano e outro transversal, intersectando com parte do território.


Estes dois eixos geram vias pedonais, de acesso da cidade e do parque, ao equipamento. Conforme o programa elaborado existem 3 núcleos importantes: galeria, auditório e área de produção e investigação. A partir do eixo transversal que divide o volume em dois, são gerados dois eixos paralelos.


O espaço residual resultante irá conter os equipamentos de carácter público (galeria e auditório), logo, a necessidade de uma maior relação com o tecido envolvente.


O volume de maior dimensão irá conter a área de produção e investigação.


As residências temporárias desenvolvem-se em 4 volumes dispostos no território de forma mais ou menos ordenada, a sua localização prende-se com o desenho da rede viária, quebrando a ordem e rigidez do equipamento.


A sua localização pretende ocupar a frente urbana localizada na cota da marginal, tornando esta frente mais consolidada com espaços de lazer e estar entre eles.


Residências de carácter temporário, estas contêm cada uma 24 quartos, dispostos por quartos duplos, cada piso tem uma cozinha de apoio e zona de estar.


Desenvolvido em 3 pisos, este último é uma zona de estar e trabalho com um pátio exterior que potencia a ligação com o parque urbano e consequentemente com o equipamento.



















PLANO URBANO - CIDADE DE ALMADA | ALMADA RIVERSIDE MASTERPLAN


O presente trabalho apoia-se sobre três bases: território, cidade e facto urbano.

A importância do carácter urbano e metropolitano, as relações entre cidades vizinhas e o Tejo como meio de relações e objectivos comuns de desenvolvimento integrado.

Toda essa análise apoia-se sobre bases históricas, culturais, sociais, económicas e territoriais.



Compreender o território da cidade de lisboa e a sua dimensão de metrópole, implica também compreender certos aspectos que se prendem com o passado e os modelos aplicados em épocas anteriores, que moldaram o território, sendo a cidade contemporânea nada mais que uma consequência da aplicação dos mesmos.



O ambiente contemporâneo, aquele que na maioria das vezes observamos ao ritmo do automóvel, sendo essa a perspectiva através da qual vemos habitualmente as cidades, é sobretudo consequência do desenvolvimento industrial.

A relação com o rio e com o mar constitui uma marca, não só geográfica, mas, sobretudo, histórica e cultural que tem influenciado tanto os modos de vida como o urbanismo de lisboa.



É importante ter em conta que essa marca é hoje um património e um importante recurso para a reconstrução da identidade ribeirinha e para a organização de novas formas de convivência de lisboa com o seu porto. As cidades portuárias têm sido acompanhadas ao longo dos tempos por uma combinação entre charme, sedução e prosperidade.



Nos últimos quarenta anos esta combinação transformou-se em abandono, declínio e degradação, realidade que tem sido alvo de estudo e de discussão partilhada entre as autoridades (porto, município e estado).



Os velhos portos são vistos hoje em dia como um território plausível de intervenção.

Por um lado vemos a incapacidade do velho porto em dar resposta às novas necessidades portuárias; por outro, a cidade pressiona o porto a abandonar a frente de água.



Denominado “plano urbano – cidade”, este trabalho terá como propósito delinear uma proposta de itenerário articulado com o território envolvente da área de estudo, focalizado numa intervenção parcial da mesma, enfatizando e precisando nexos de amarração com o envolvente.



Proponho a projecção da cidade de Almada na perspectiva do desenvolvimento sustentável, com especial atenção para a salvaguarda da arriba que deverá ter em conta a preservação das várias espécies de fauna e flora que lá habitam, para além da arriba ser parte integrante da memória colectiva, tanto dos lisboetas como dos habitantes de Almada.



As construções no sopé da arriba deverão ser avaliadas quanto ao seu valor, seja ele pelo valor arquitectónico ou cultural. As edificações que não tiverem papel relevante serão demolidas, aliviando a densidade de construção, permitindo abrir espaços de usufruto das populações.



Resolver a frente ribeirinha terá como base os seguintes pressupostos:



- a aproximação da população ao rio,

- a atracção de um outro tipo de população para além da actual,

- a requalificação da margem ribeirinha;



Através de uma estratégia de dinamização das margens e do rio, ou seja, implementar novas actividades através da criação de pólos atractivos e da criação de novas identidades, aproveitando o potencial paisagístico e ambiental da zona.



Com o intuito de preservar a zona ribeirinha o máximo de intervenções que pudessem de alguma forma não responder à linguagem dos antigos armazéns e restantes edifícios, ganha-se território ao rio, não aumentando na sua já existente dimensão, mas criando uma plataforma, podendo assim albergar um programa específico, direccionado para a cultura em todas as suas formas e variantes, lazer e recreio, sendo também o que pretende ser um modelo na criação de uma nova identidade.



“uma vez que o arquitecto se ocupa de “prever” possíveis realidades construídas, a utopia foi para o arquitecto, ao longo da história, uma forma de “visionarismo”, ou seja, uma forma de transposição do paradigma utópico em literatura para a idealização de espaços em si ideais, imaginados como espaços capazes de servir a prática de ideias utópicas políticas e sociais, pensados com construções muitas vezes tecnicamente impossíveis de construir de acordo com o conhecimento técnico existente no momento.



Na verdade, a utopia interessa-me particularmente enquanto procedimento, dotado, a meu ver, de uma grande instrumentalidade, e extremamente útil ao processo de projecto arquitectónico, na abertura de “outras” possibilidades. “



































JAKUB NEPRAS



Onde: Museu de Arte Moderna e Contemporânea Colecção Berardo.



WRG 15 (SERÁ PAIXÃO FAST FOOD?)




Imagem: WRG production


"Começo por falar sobre as mensagens que trocámos na noite anterior, justificando-me de forma tão aberta que até estranhei como podia estar a falar tão sinceramente e sem problemas das minhas inseguranças e que precisava da ajuda dela.


Nisto, levanto-me e encosto a janela correndo o cortinado tom creme com um padrão leve o qual só é visível quando perto e num segundo o quarto cria uma luminosidade esbatida e adormecida. Seguro-lhe a cara e beijo-a num modo doce e apaixonado.


Foram momentos de pura calma, contrastante com um nervosismo interior mas que se dissolvia aos poucos numa entrega mútua pelo sentimento.


(...)


Num prédio antigo com sabor da saudade, ficava o meu quarto, o nosso esconderijo.

Embora o silêncio raramente fosse absoluto, apenas se ouvia o tiquetaque do relógio e vozes de vizinhos sem nome ou rosto. Também se estivesse vento sul conseguia-se ouvir o sino a tocar e o som do trânsito teria mais relevo.


Já foi a algum tempo que a ouvi a subir aquelas escadas pela primeira vez. Lembro-me que o meu coração batia tão acelerado, que tive medo que os vizinhos acordassem.


O meu coração batia sempre com a mesma ansiedade, porque adivinhava uma noite nos braços da minha amante, e isso era qualquer coisa de inexplicavelmente bom.

Enquanto contava os degraus que faltavam, roubavam-se uns beijos que eram prolongados lá em cima, e depois, bem depois já se sabe…


O calor dos nossos corpos trespassava as paredes daquele lugar, deixando mais alguns nomes gravados na sua memória, e na nossa pele, o nome um do outro, quando juntos no colchão o calor do nosso amor se transformava em juras e ais.


Ah! Se aquelas paredes falassem, contariam como se faziam tombar os poucos livros desalinhados da estante metálica, como estremecia a cama e como foi lá que me apercebi como gostava de ver o rosto dela enquanto o prazer tomava conta dos nosso gestos e ela ritmava o corpo com amor.


Aquele lugar passou a ser o esconderijo da minha alma, e há um pouco de mim espalhado pelos cantos daquele lugar mágico onde eu cada vez mais sinto necessidade de ir, talvez procurando os restos de amor que por ali ficaram, impregnados no cobertor creme, numa cama que nunca desfizemos."



Excerto do texto "Será paixão fast food?", escrito por WRG


Nota: Isto é uma obra ficcional. Qualquer semelhança com o autor é pura coincidência. Os excertos de textos escritos por WRG apresentados nos post's com nome pré-definido "WRG (Nº) (UNTITLED/TITLED)" fazem parte de uma só história. Os excertos são escolhidos na sua relação com a(s) imagem(s) ou video(s) que o antecedem (o trabalho de imagem ou video nem sempre é feito em função do texto e vise-versa, nem sempre).

RIGHT BACK AT YA

As obras de remodelação demoraram um pouco mais do que o esperado.
Deve-se ao facto de pouco ou quase nada entender de html assim como a falta de disponibilidade.

Espero que gostem do novo ambiente de trabalho.

Brevemente mais notícias.

WARNING MESSAGE

A gerência da amostra localizada no 47, 2º esquerdo vai diminuir a sua actividade por um breve período, o qual está directamente implicado com alterações a serem feitas no blog assim como outros compromissos externos aos quais não pode faltar.

Continuem a visitar este cantinho e mantenham-se atentos às novidades do próximo mês.

WRG 14 (EPIFANIA)



Imagem: WRG production




Sétima sessão: 17/ Novembro/ 2004


“- Estás confortável? – pergunta, ao mesmo tempo que cruza uma perna sobre a outra. A calça de bombazina sobe o suficiente para observar as meias; base azul-escuro e riscas em alto-relevo verticais no mesmo tom – Na outra sessão disse-te que hoje gostaria de experimentar algo novo, lembraste?

- Sim.

- Hoje não te quero esforçar demasiado. Na última vez que falámos reconheci alguma resistência da tua parte, alguma razão em particular?

- Não.

- Muito bem. – pausa, e expira. Posso ouvir a respiração dele, o som toma outra dimensão ao passar sobre os pêlos do seu bigode. Coloca o bloco de notas sobre a secretária e a tampa na caneta. Levanta-se e sobe o resto da persiana; entra mais luz. Existem apenas duas janelas, uma delas em porta com uma pequena varanda, alguns vasos e plantas sem flor.

O relógio diz-me serem seis da tarde.
O Sol esconde-se sobre alguns telhados.
Queria estar lá fora a contemplar o Sol, e não aqui.

Pela respiração pressinto que me vai dizer algo.

- Queres passar para este sofá? Põe-te confortável, quando estiveres pronto diz-me. – quando chegar a casa vou sublinhar a palavra “confortável” no dicionário, às vezes já nem sei o seu real significado – Quando estiveres preparado, quero que feches os olhos e respires de forma calma, tranquila; aos poucos esvazia a mente de pensamentos, imagens, sons, preocupações. Procura ouvir a tua respiração.

- Sim. – respondo. Fecho os olhos, visualizo a repetição do último pensamento, queria estar lá fora, queria ver o Sol, já se encontra por cima dos telhados, não tenho muito mais tempo. Queria ir lá fora. Sinto o corpo tenso. O ruído lá fora incomoda-me, a cidade incomoda-me. Encontro a respiração, mas no entanto os últimos pensamentos tendem a querer repetir-se, não controlo. Demoro algum tempo a relaxar.
Reconheço um pensamento intermitente, com folgas, e, nessas folgas oiço a minha respiração, é algo diferente e calmo, observo o ar a entrar e a sair do meu corpo. Concentro-me, e, nesse momento não penso mais, apenas sei que sou.
Pelo menos até ele falar. Nem pressenti que ia interromper, deixei de ouvir a sua respiração por breves momentos.
Não quis tomar atenção ao que dizia, senti uma frequência nova para mim, no entanto sinto que já lá estive em outras ocasiões, já não penso mais no Sol, agora quero fechar os olhos novamente.

- Vamos fazer o seguinte: procura preencher a tua mente com uma só cor. Que cor escolheste?

- Preto.

- Imagina uma malha, uma grelha, composta por linhas verticais e horizontais. Tens um plano. Sobre esse plano visualiza dois cubos, um laminar e o outro maciço. As dimensões dos cubos ficam ao teu critério.
Com esses dois cubos vais criar espaços, explode ambos os cubos da forma que bem entenderes, se preferires subtrai parte de um cubo e adiciona no outro, faz uma composição. Pensa que o teu mundo irá ser o resultado dessa composição. De que cor é a malha e os cubos?

- Branco. - apesar de ter ao meu critério as dimensões para os cubos, reconheço que a composição final terá sempre limites físicos com o vazio exterior, o tal fundo preto com uma malha imaginária, o plano sobre o qual se apoiam os cubos brancos. Parece-me um pouco frágil – penso, e, continua ele:

- Enquanto exploras formas de manipular a matéria, diz-me: quais os teus critérios?

- Procuro a ordem, o rigoroso, deixo também lugar a algum caos, ao bruto e não esculpido. Linhas rectas e sinuosas. Aberturas e acessos. Percursos.

- No final, o que pretendes que transmita?

- Vontade de explorar e interagir. Conhecer o território.

- Conhecer? – pergunta.

- Sim. Sinto que desenhei mentalmente parte do território, no entanto só e depois de ter percorrido essa porção a restante será criada tendo base os critérios iniciais. Não consigo visualizar o todo.

- Onde te encontras neste momento?

- Dentro.

- Dentro do quê?

- Dentro do cubo laminar, creio que deve ter as seguintes dimensões: 10m x 10m. Uma das arestas intersecta o cubo maciço, ligeiramente maior na sua dimensão. Na face a que posso chamar de tecto, subtraí uma porção de matéria, ganho uma abertura. Entra luz.

- Luz?

- Sim.

- Mas… – interroga-se, e continua – Luz? A tua cor base, o vazio, não era preto?

- Era, deve ser. Neste momento não tenho contacto com o exterior, não sei o que se passa. A luz ilumina o interior e nela posso ver com maior clareza e distinguir onde estou.
Tenho apenas um caminho possível. A luz perde a sua intensidade no ponto onde os dois cubos se intersectam. O meu passo ganha ritmo, velocidade, caminho com algum nervosismo... – interrompe.

- Porquê?

- Quero ir ao encontro da luz, não posso recuar, tenho de avançar. Não consigo chegar lá.

- Onde estás?

- Dentro do cubo maciço. Está a maior profundidade, vejo blocos dispostos no chão e não consigo ver o fundo, está escuro, morto, seco, o interior é bruto e imperfeito. Pequenos orifícios deixam que entre luz, mas esta mal consegue penetrar no interior, vejo mal. Tento lentamente saltar bloco a bloco, não quero cair, tenho medo.

- Calma. Relaxa. Está tudo bem, não te esqueças que estás a imaginar, é ficção.

- Há escadas, tento reconhecer o espaço. Toco com as mãos em qualquer superfície. Sinto algo, alguma coisa está comigo. Não foi respiração de outro, foi sensação de presença. Há um sinal de emergência que me adverte. Estou com medo.

- Quem está contigo? Alguém que não gostas, algum amigo ou familiar que não estejas a reconhecer?

- Quero correr a tal velocidade que mal consigo assimilar os obstáculos que tenho de percorrer. Vou saltar, pular, agarrar-me, subir, equilibrar-me; é tudo tão rápido. Adrenalina.

- Queres ficar por aqui? Podemos parar a qualquer momento, basta que assim o queiras.

- Há luz. É cada vez mais intensa. Tenho de chegar lá. Tenho de ser rápido. Deixo de sentir medo, a luz é mais intensa que a escuridão, está cada vez mais atrás. Não posso abrandar. Sinto-me atraído por ela.

- Onde estás? Estás no cubo maciço? – não obtém resposta, volta a perguntar – queres que termine por aqui? – espera alguns segundos por resposta, então, decide dar por terminada a sessão.

- Fora! Fora! – respondo.

- O quê?

- Estou fora! – abro os olhos.

- Estás bem? Ia parar com a sessão, não me pareceu que estivesses a reagir bem. Fiquei preocupado ainda agora por não me estares a responder. O que se passou?

- Não sei. Não lembro bem. – não quis responder, passo a mão pela cara e puxo o cabelo para trás, fito o olhar na carpete.

- Pois bem, ficamos por aqui. Na próxima sessão iremos retomar este assunto. Quero que penses em casa no que se passou hoje. Espero que possas responder com maior clareza da próxima vez a algumas questões. “

Esta foi a sétima sessão com o meu psicólogo. A segunda no sofá. A primeira que vi a carpete.
Foi a primeira de algo mais.

Tenho de contar à Bonnie.



Excerto do texto "Epifania", escrito por WRG


Nota: Isto é uma obra ficcional. Qualquer semelhança com o autor é pura coincidência. Os excertos de textos escritos por WRG apresentados nos post's com nome pré-definido "WRG (Nº) (UNTITLED/TITLED)" fazem parte de uma só história. Os excertos são escolhidos na sua relação com a(s) imagem(s) ou video(s) que o antecedem (o trabalho de imagem ou video nem sempre é feito em função do texto e vise-versa, nem sempre).

JOANA VASCONCELOS





Imagens: Retiradas da Web


Uns conhecem-na, outros nem tanto.
Mas que ela até tem aparecido, isso tem.
É artista.

Joana Vasconcelos.

Já me tinham falado dela: “senhora com linguagem corporal alegre e comunicativa, sentido de humor e observações cómicas sobre o mundano; tem umas peças onde claramente procura redefinir o uso de certos elementos que caracterizam o nosso universo mais nostálgico” disseram-me.

Certo dia olhava pelo vidro do E15 vindo de Algés, passando pelo Largo da Princesa, procuro a Torre de Belém não por ser pequena mas porque o trajecto seria rápido.
Vejo-a vestida com um xaile; pensei na Amália, depois interroguei-me: “Vasconcelos? Provavelmente.”

Sim, afinal era, constatei mais tarde.

A minha paragem seria no CCB; como se tornou hábito neste últimos anos.
Nesta peça já não foi tão imediata a minha resposta quanto na Torre.
A primeira vez que a vi, estava a ser montada.
Na altura não conhecia bem as obras da artista, e quando encontrei pela primeira vez “Castiçais” pronta para ser vista não soube bem o que pensar.

Como era época natalícia ainda interroguei-me se haveria alguma relação, dado que toda a obra era feita de garrafas tom verde dispostas numa forma elegante e orgânica que no seu todo até faz lembrar uma árvore, ou outra coisa qualquer, deixem a imaginação fluir, Joana chamou “castiçais”.

“Castiçais” passou deste último ano da entrada do Museu de Arte Moderna e Contemporânea Colecção Berardo para o pátio exterior localizado no lado oposto.

Ou seja, continua lá.
Não é preciso ir muito longe para tropeçar em alguma coisa dela.

Nesta não pode tropeçar mas pode ver, é a instalação recente no prédio nº 12 da Rua do Alecrim em Lisboa, para os que não sabem ou não se lembram, faz parte do projecto Art Building de que irei falar aqui um dia.

Intitulada “Vitrine”, Joana Vasconcelos apresenta uma peça que não é nova no seu portfólio, para quem conhece minimamente o trabalho dela naturalmente irá reconhecer estes animais um tanto quanto estranhos que ela constrói com tecidos mistos, possível reconhecimento inspiração pop art. Pelo menos muitos assim tentam definir as suas peças.

Joana Vasconcelos trabalha sobre observações que ela própria faz do mundo português, das tradições e costumes, mas não se limita apenas a isso, na realidade essas observações já terão passado na cabeça de muitos de nós, e muitos terão também idealizado nas suas mentes formas de transmitir o resultado dessas observações em matéria para ser vista e tocada.
O que ela faz é isso, passa da mera observação para a construção material do mesmo, última forma de transmitir ao público em maior escala.
Esperemos, com sorte, que sejam vistas por mentes vazias que enchem as ruas e os autocarros desta cidade e de outras, na esperança de que alguns despertem a mente para formas diferentes de ver o mundo.

É por razões como estas que ela é artista.

Para os interessando em saber onde se formou, onde trabalha, onde expõe, assim como o seu percurso, não será aqui que ficaram a saber.
Para isso vejam o endereço oficial da artista, lá poderão ver o percurso destes últimos anos, assim como vídeos dos trabalhos, bastidores e as demais informações biográficas.

Tudo em: http://www.joanavasconcelos.com/

Deixo o vídeo “Portugal Convida - Joana Vasconcelos” para conhecem melhor a personagem por detrás da obra.
Só um pequeno lembrete: a entrevista é feita em espanhol, reparem quando ela diz a certa altura “ (...) histórias de encantar, de disney e tal…”. Cómico.


Texto por WRG


BUSH BYE BYE PARTY




Ok, não resisti, já tinha visto este site e achei a iniciativa bastante original, aliás, nem sei como poderíamos deixar passar este acontecimento sem qualquer tipo de evento que fizesse jus ao mesmo.

É sabido que nos USA existem bons comediantes, todos nós recordamos séries como Friends, Seinfeld e mais recentemente Arrested Development e The Office (US), todas elas com o seu próprio sentido humor que as distingue.
Se umas se destacam pela positiva outras pela negativa, popularidade não está de alguma forma ligada ao conceito de qualidade.

Então nessa lógica, tivemos nestes últimos anos transmissão non stop do maior tv disaster vindo das terras do Tio Sam.
Alguns chamaram-lhe simplesmente: The George W. Bush Show.

Tenho de concordar com o nome.
Simples e catchy, protagonizado pelo próprio.

Se a maioria das séries têm um teste piloto, esta foi logo para o ar à força toda; e se a maioria das séries fecham as suas temporadas após um ano de gravações que totalizam umas 20 ou 22 transmissões da série, esta manteve-se no ar por oito anos tendo apenas duas temporadas.

Incrível no mínimo. De louvar? Não, não creio.

Ora, eis que chegou o derradeiro momento, a série finalmente foi cancelada, dizem que vai haver reestruturações no guião e prometem duas novas séries com um novo protagonista, desse conversaremos um dia.

Por agora vamos concentrar-nos no que realmente importa; arranjar uma roupinha para ir à festa de despedida do senhor Bush, que seja feita com pompa e circunstância, e, esperemos, com ajuda dos Anjos e Santos e para o bem de todos nós que este homem deixe o showbiz definitivamente.

Não estou informado quanto há existência de alguma festa por terras Lusas, reconheço que dia 19 sendo segunda-feira não é propriamente dia para andar em festas e eventos.
A festa mais próxima será aqui ao lado, na terra de nuestros hermanos.

Mas não desanimem, tomem iniciativa e convidem alguns amigos, façam vocês mesmo a festa e sintam-se parte deste evento que será festejado nos quatro cantos do planeta.

Que se dê início à contagem decrescente para a Bush Bye Bye Party!!!

Data do evento mundial: 19.01.2009


Por WRG

Link: http://bushbyebyeparty.com/home.html


Deixo aqui dois spots do evento:





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