
Imagem: WRG production
Numa perspectiva contemporânea de sustentabilidade, encontramos duas vertentes:
Uma que podemos designar de Retro-Eco, que defende um regresso às origens, com técnicas construtivas vernaculares (uma relação íntima com o ambiente, rejeita modelos tecnológicos que não sejam ambientalmente amigáveis) e ambientes sociais neo-hippies.
Não me parece que esta abordagem consiga dar uma resposta a processos urbanos em grande escala.
Por outro lado, há uma componente Eco-Tech, que tenta aprender e evoluir a partir da natureza e processos naturais, onde surgiram conceitos como biomimética, vertente esta que pretende ver a tecnologia sob o prima do mundo orgânico, visto que esta fornece um ponto de vista criativo para pensar a arquitectura do futuro.
Na realidade esta vertente, que tenta espelhar na arquitectura o mundo animal e natural, não é algo recente.
Falar de uma arquitectura que integra em si parte de sistemas que podem ser observados no mundo orgânico, tal como sistemas de sensores que reagem como se fossem nervos, de sistemas de controlo ambiental que não são visíveis, podemos quase falar de uma arquitectura inteligente, distanciando-se assim de uma mera optimização e gestão do edifício.
Podemos encontrar uma grande variedade de soluções estruturais no mundo das bio-estruturas; algumas são simples e bastante sofisticadas, mas outras são grandes fontes de pesquisa para atingir outros fins.
Os três reinos da natureza – mineral, vegetal e animal – permitem descodificar vários sistemas, desde a eficácia estrutural de alguns cristais, adaptação de certas árvores em zonas muito ventosas pelo estudo das suas fibras ou inclinação, até às teias das aranhas, onde as suas finas teias podem ser comparadas à resistência de um cabo de aço.
No reino animal, seja por estruturas próprias ou construídas, é bastante rico em soluções que podem ser aplicadas à realidade.A estrutura das conchas ou as construções dos castores podem ser aplicadas à construção de barragens, as teias de aranha aplicadas à construção de coberturas.



Imagens: Retiradas da Web. Exemplo da aplicação da biomimética. Piscinas Olímpicas, também chamado de “cubo de água” para os Jogos Olímpicos de 2008, Pequim, China. Atelier: PTW + CCDI + Arup
A componente Eco-Tech ainda integra os smart materials, consciência ecológica, economia de custos etc.
Sejam quais forem as hipóteses possíveis, a solução passará por entender o potencial de cada lugar ou situação, e conseguir aproveitar ao máximo as oportunidades sem ser necessário impor grandes cargas tecnológicas, que mais tarde se tornem inviáveis, devido ao seu enorme custo de manutenção.
A tecnologia, independentemente de ser avançada ou não, é uma mera ferramenta para atingir um determinado objectivo.
Exerto do texto "Retro-Eco e Eco-Tech", escrito por WRG











